Foto: DR

“Fui muito agradavelmente surpreendido porque estamos, infelizmente, habituados a que os problemas das alterações climáticas sejam resolvidos através de proibições e toda esta apresentação, passando pela parte da agricultura, mas cobrindo todas as outras, foi feita no sentido positivo”, afirmou.

Luís Mesquita Dias falava aos jornalistas à margem da apresentação do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC) do Alentejo Litoral apresentado, na segunda-feira, em Santiago do Cacém.

“Ouvimos aqui medidas de boas práticas para continuar a crescer, apesar das alterações climáticas, e isso é uma mudança radical em relação ao discurso que, infelizmente, tantas vezes é comunicado em que o que é preciso é deixar de produzir porque temos estas limitações”, referiu.

De acordo com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), o documento, que vai vigorar até 2035, faz um retrato deste território, que inclui os municípios de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, e enumera ações concretas para fazer face aos desafios ambientais.

Entre elas, encontram-se “a poupança de água no consumo doméstico” e também em vários setores da economia da região, como a “agricultura, indústria e turismo”.

O documento prevê também a anulação de perdas na rede de distribuição de água e aponta para a necessidade de diversificar a origem dos recursos hídricos, através da “dessalinização da água do mar”.

Segundo Luís Mesquita Dias, os produtores irão trabalhar em conjunto com os restantes parceiros para garantir  “as boas práticas” agrícolas.

“A agricultura que queremos não é uma agricultura do mal, é uma agricultura do bem e de boas práticas. Os nossos agricultores são os primeiros a dar o exemplo nos temas da poupança e, em Santa Clara, reduzimos, em quatro anos, 70% do consumo de água que retiramos da barragem”, observou.

O dirigente lembrou no entanto que “há aspetos” neste plano “que são de âmbito nacional”, como a dessalinizadora.

“O que eu espero e desejo é que as outras CIM do resto do país não façam cada uma o seu trabalho, sem conhecerem o que cada uma das outras está a fazer, acho que deve haver essa partilha”, concluiu

O PIIAC tem como objetivos estratégicos a redução da exposição aos riscos climáticos, o aumento da capacidade adaptativa e de resiliência da região e a promoção do conhecimento sobre as alterações climáticas.

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SANTIAGO DO CACÉM
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